segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O CUSTO POLÍTICO DA QUEDA DO VASCO



A carreira política do deputado estadual Roberto Dinamite acabou. Ídolo do Vasco da Gama quando calçava chuteiras, mostrou, enquanto cartola, que tem os pés de barro. O ingresso do Time da Colina, no rol dos clubes cariocas maculados pela vergonha de disputar a segunda divisão, estava anunciado há pelo menos quatro temporadas. Infelizmente, a bomba – ou dinamite -, desculpe o trocadilho infame, explodiu quando Eurico Miranda já não reinava absoluto em São Januário.

Não tenho a menor intenção de execrar ou enaltecer o maior ídolo vascaíno de todos os tempos. Seu papel sobre a triste página do rebaixamento para a segunda divisão, aliás, é o de um coadjuvante. O personagem central dessa tragédia tem nome e sobrenome: Eurico Miranda
.
Roberto Dinamite, no entanto, cometeu o grave erro de prometer o que não podia cumprir, como a tão falada fila de empresários dispostos a investir no Vasco da Gama. Pior: trouxe de volta o técnico Renato Gaúcho, esquecendo que ele foi o responsável pela transferência dos jogadores Conca e Leandro Amaral para o Fluminense, o que ajudou a desmantelar ainda mais o fraco time vascaíno. Pelos resultados apresentados, era melhor ter ficado com o delegado Antônio Lopes.

Agora, além de ouvir gozações do tipo: “o Flamengo é o único carioca campeão do mundo”, o torcedor vascaíno – ao lado de tricolores e alvinegros -, terá de engolir a pilhéria de que “o Flamengo é o único time carioca que não se rebaixa”.

Isso tudo terá um custo político para o presidente do Vasco, Roberto Dinamite. Para evitar um vexame eleitoral em 2010, do tamanho da vergonha do rebaixamento neste ano, é melhor o dublê de cartola e deputado abdicar da disputa para a reeleição na Alerj. Hoje, Roberto Dinamite contabilizaria, no máximo, cinco mil votos, que podem chegar a 10 mil se o Vasco conquistar o inglório título da segundona no ano que vem. Mas torça para que o Vasco não termine a competição como vice-campeão. Vice da Série B é a suprema humilhação.

Em contrapartida, aumentam as chances de Eurico Miranda – toc, toc – voltar ao Congresso Nacional. Se eu fosse presidente do Coritiba e do Vitória, próximos adversários do Vasco, daria uma demonstração de amor à pátria e livraria o time de São Januário da degola.

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